Serviços de avaliação em diversos países vêm relatando aumento consistente na procura por
diagnóstico de TEA e TDAH em adultos — em particular entre pessoas na faixa dos 30 aos 50
e entre mulheres, historicamente subdiagnosticadas por critérios construídos sobre
amostras de meninos.
A leitura preguiçosa é "virou moda". A leitura menos preguiçosa é que os critérios
diagnósticos mudaram, o acesso à informação mudou, e uma geração inteira que foi
classificada como "tímida", "preguiçosa", "difícil" ou "inteligente mas desorganizada"
finalmente encontrou o vocabulário.
A parte que os artigos otimistas cortam
O diagnóstico adulto vem com um efeito colateral pouco discutido: a revisão retroativa.
Você não recebe só um laudo. Recebe uma releitura de cada emprego que não deu certo, cada
amizade que esfriou sem explicação, cada professor que disse que você não se esforçava o
suficiente. É um alívio e um luto ocupando o mesmo espaço, o que é tanto trabalho
emocional quanto parece.
Relatos clínicos descrevem esse período como algo que leva meses. Não semanas. E não há
protocolo bonito para isso — o sistema foi desenhado para entregar o diagnóstico, não para
lidar com as três décadas anteriores a ele.
O que ajuda, segundo quem passou por isso
Encontrar outras pessoas que passaram exatamente por isso. Não um grupo de apoio com
dinâmica de roda e caneta colorida. Um fórum, de preferência assíncrono, onde dá para
escrever oito parágrafos às 3h da manhã e voltar três dias depois para ler as respostas.
Estamos razoavelmente bem posicionados para essa demanda específica.