O problema raramente é começar a conversa. É que ninguém documentou o close(). As
pessoas parecem saber por telepatia quando a interação acabou, e você fica ali, segurando
um copo, há onze minutos depois do fim natural.
Aqui vai a documentação que faltava.
1. O encerramento declarado. "Vou dar uma circulada, foi bom te ver." Funciona porque
anuncia intenção. Humanos aceitam intenção anunciada com uma facilidade impressionante.
2. A entrega de bastão. Apresente a pessoa a outra pessoa e saia enquanto elas se
cumprimentam. Custo: uma apresentação. Benefício: saída limpa e você passa por gentil.
3. O resumo. "Então é isso — você vai mandar o arquivo e eu respondo até quinta."
Resumir sinaliza fim. É o commit da conversa.
4. A verdade parcial. "Preciso de um ar." Ninguém pede detalhe. Ninguém nunca pediu.
5. O relógio narrado. Olhar o horário e dizer o horário em voz alta: "nossa, sete e
meia". A frase não significa nada e resolve tudo.
6. A migração. Vá até a mesa de comida, o banheiro ou a varanda. O deslocamento
físico encerra a unidade conversacional sem precisar de frase nenhuma.
7. O honesto. "Minha bateria social acabou, vou embora, gostei de te ver." Em ambientes
razoáveis isso funciona perfeitamente e ainda te dá fama de pessoa direta. Em ambientes
não razoáveis, você acabou de descobrir de graça que o ambiente não é razoável.
Observação final, sem ironia: a maior parte das pessoas não está avaliando a sua saída.
Está pensando na própria. O constrangimento é quase sempre uma transmissão local, sem
audiência.